quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Avesso


AVESSO
lisieux


E tu chegaste,

virando o meu mundo pelo avesso,

revertendo o rumo das marés

e fazendo o sol nascer à meia-noite.

Bagunçaste o meu coreto,

abalaste as minhas estruturas,

provocaste um terremoto nas minhas entranhas.

Tu rompeste a barreira do som

e ribombaste em meus ouvidos;

viajaste à velocidade da luz

e chegaste,

centelhas,

aos meus olhos,

iluminando tudo;

E tu chegaste

e modificaste a minha vidinha

repartição-pública,

tornando-a profissional liberal,

sem hora,

senhora do meu nariz,

dona do mundo.

Chegaste furacão,

tufão,

maremoto,

soprando ventos,

agitando ondas,

movendo as placas tectônicas...

E eu,

poeira cósmica,

partícula estelar,

centelha infinitesimal,

zero á esquerda,

saltei espaços,

viajei eras,

atravessei séculos...

e, cá estou,

nos teus braços:

inteira,

refeita,

perfeita...

mulher!
...
...

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